Arthur Lira retira de pauta votação do PL das Fake News
Presidente da Câmara atendeu ao pedido do relator do projeto
Presidente da Câmara atendeu ao pedido do relator do projeto
O presidente da
Câmara, Arthur Lira, decidiu, nesta terça-feira (2), retirar de pauta a votação
do Projeto de Lei (PL) 2630, conhecido como PL das Fake News. Lira atendeu um
pedido do relator do projeto, deputado Orlando Silva (PCdoB -RJ). A proposta
estava prevista para ter seu mérito analisado nessa sessão. O pedido do relator
acontece após uma sequência de polêmicas envolvendo o texto da proposta.
O texto está apto
para ser analisado desde a semana passada, quando o plenário da Câmara dos
Deputados aprovou o requerimento de urgência para agilizar a tramitação da
proposta. Também na última semana, Silva apresentou novo parecer retirando
trechos polêmicos do texto. No entanto, ao iniciar a sessão, ele argumentou que
precisaria de mais tempo para incorporar novos pontos ao projeto.
“Não tivemos tempo
útil para examinar todas as sugestões, por isso gostaria de fazer um apelo
para, consultados os líderes, que pudéssemos retirar da pauta de hoje a
proposta e pudéssemos consolidar a incorporação de todas as sugestões que foram
feitas para ter uma posição que unifique o plenário da Câmara dos Deputados em
um movimento de combater a desinformação e garantir a liberdade de expressão”.
Segundo o relator,
a principal dificuldade de consenso entre os congressistas está na definição
sobre a quem caberá fiscalizar o cumprimento e as sanções impostas pela lei. “Ganhou
muita força hoje a ideia da Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações], mas,
ainda assim, muitos parlamentares resistem à hipótese. Esse é um tema em que é
necessário um diálogo com o governo, pois da parte do governo há críticas com a
possibilidade de a Anatel ser esse órgão responsável. O que era um impasse na
semana passada, segue sendo um impasse”.
De acordo com o
deputado, ainda não há prazo para que o projeto retorne para análise do
plenário. Silva destacou que serão necessárias, pelo menos, duas semanas para
que o projeto esteja pronto para ser submetido à apreciação.
Ao chegar à Câmara,
o presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL) afirmou que o texto só seria
colocado em votação caso houvesse votos suficientes para aprová-lo. “Se tiver,
claro que vota. Se não tiver, o meu intuito é que não vote hoje”, disse.
O PL 2630/20 institui
a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet,
com normas e mecanismos de transparência para provedores de redes sociais,
ferramentas de busca e de mensagens instantâneas, bem como as diretrizes para
seu uso.
Impasses
Na tarde desta
terça-feira, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da
Justiça, determinou que a Google tome uma série de medidas cautelares para
corrigir indícios de que a empresa estivesse censurando o debate público sobre
a proposta.
Horas depois, a
plataforma retirou o link que direcionava para o texto “O PL das Fake News
pode aumentar a confusão sobre o que é verdade ou mentira no Brasil”. A frase
remetia os internautas para um artigo no qual o diretor de Relações
Governamentais e Políticas Públicas da empresa no Brasil, Marcelo Lacerda,
criticava a medida.
Além da obrigação
de sinalizar o conteúdo publicitário deste e de outros conteúdos contrários à
aprovação do PL que produzir e divulgar, a Senacon também determinou que a
Google passe a informar os consumidores sobre eventual conflito de interesse na
questão, já que a eventual aprovação do projeto vai impactar suas operações.
Por já ter dado ampla divulgação às críticas à proposta de regulação das
plataformas digitais, a Google também terá que começar a veicular, em até duas
horas após ser notificada da decisão, as posições favoráveis ao projeto de lei.
Se descumprisse as determinações da Senacon, a empresa seria multada em R$ 1
milhão por hora.
STF
Também nesta
terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
(STF), determinou que presidentes de empresas que operaram redes sociais
prestem depoimento, no prazo de cinco dias, na Polícia Federal (PF).
A decisão de Moraes
foi proferida após a divulgação de denúncias sobre o suposto favorecimento de
resultados contrários ao PL das Fake News. As plataformas deverão retirar do ar
todos os anúncios que tratam o projeto como PL da Censura. Pela decisão,
deverão prestar depoimento os presidentes do Google, Meta (Facebook e
Instagram), Spotify e Brasil Paralelo.
Cade
O Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou um procedimento
preparatório de inquérito administrativo para apurar suposto abuso de
posição dominante por parte do Google e da Meta, no âmbito das discussões
relacionadas à proposta.
A decisão foi
tomada depois de órgão receber uma série de denúncias contra as plataformas
Google e Meta, apontando para a suposta realização de campanha contra o projeto
nestas redes e também no YouTube, Facebook e Instagram. No documento, o Cade
diz que as empresas estão sendo investigadas em outros inquéritos que apuram
indícios de infração à ordem econômica.
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